A defesa do general Walter Braga Netto, liderada pelo advogado José Luis Mendes de Oliveira Lima, o Juca, questionou veementemente a validade da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. Em sustentação oral no STF, Juca argumentou que seu cliente corre o risco de ser condenado com base em um depoimento falho e incoerente, que surgiu apenas após meses de prisão e suposta coerção.
O cerne da argumentação da defesa reside na alegação de que Cid apresentou diversas versões dos fatos investigados, com uma acusação particularmente grave – o recebimento de dinheiro para financiar um golpe – surgindo somente 15 meses após o primeiro depoimento. “É razoável imaginar que um delator demore 15 meses para trazer este fato…? É um escândalo!”, exclamou Juca, questionando a credibilidade da colaboração premiada.
Em um ataque direto, o advogado classificou Cid como um “irresponsável” e “artista de péssima qualidade”, descrevendo sua delação como inconsistente e incapaz de se sustentar. A defesa também apontou contradições na narrativa de Cid sobre a entrega do dinheiro e evidências de que despesas relacionadas às ações tidas como preparatórias para o golpe foram pagas com cartão de crédito, e não em espécie.
Segundo Juca, a Procuradoria-Geral da República (PGR) não apresentou nenhuma prova além da palavra do delator para embasar o pedido de condenação de Braga Netto. “Não se pode condenar alguém com base em narrativas, mas com base em provas”, insistiu o advogado, durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal.
A Primeira Turma do STF retomou o julgamento que envolve Bolsonaro e outros sete aliados, acusados de tramar um golpe para mantê-lo no poder após a derrota eleitoral de 2022. As sustentações dos advogados de Bolsonaro, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Braga Netto foram ouvidas na sessão. Ao todo, estão previstas oito sessões para análise do caso, com a sentença esperada para os dias 9, 10 e 12 de setembro.
Fonte: http://agorarn.com.br










