O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, defendeu com veemência, nesta terça-feira (2), no Supremo Tribunal Federal (STF), a necessidade de punir os responsáveis pelas tentativas de golpe contra a democracia brasileira. Gonet alertou que a impunidade poderia incentivar novos atos autoritários, colocando em risco a estabilidade institucional do país. A declaração ocorreu durante o julgamento que analisa a conduta do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seus ex-auxiliares, acusados de tramar para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.
Na apresentação de suas alegações, Gonet enfatizou o papel central de Bolsonaro na organização criminosa que planejou a ruptura democrática. Segundo o procurador, a liderança do ex-presidente se manifestou através de reuniões e atos que demonstram a intenção de subverter a ordem institucional. “Quando o presidente e o ministro da Defesa convocam a cúpula militar para apresentar documento de formalização de golpe de Estado, o processo criminoso já está em curso”, afirmou Gonet, ressaltando a gravidade da situação.
Gonet também trouxe à tona episódios de violência protagonizados por apoiadores de Bolsonaro, como o ataque à sede da Polícia Federal em Brasília, o artefato explosivo encontrado no aeroporto da capital, os acampamentos com pautas golpistas em frente a quartéis e os ataques de 8 de janeiro aos prédios dos Três Poderes. Para o PGR, esses eventos configuram um cenário “espantoso e tenebroso” que não pode ser ignorado ou minimizado.
O procurador-geral da República também mencionou planos descobertos pela Polícia Federal que detalhavam atentados contra a vida de figuras importantes, como o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Gonet reforçou que as acusações não se baseiam em meras suposições, mas em evidências documentais, inclusive registros feitos pelos próprios envolvidos.
“Não há como negar fatos praticados publicamente, planos apreendidos, diálogos documentados e bens públicos deteriorados”, concluiu Gonet. O procurador enfatizou que a sequência de atos com o objetivo de interromper a normalidade do processo sucessório está comprovada, reforçando a necessidade de responsabilização dos envolvidos para a preservação da democracia.
Fonte: http://agorarn.com.br










