Lula, Lulinha e o Dinheiro

Movimentações bancárias reveladas recentemente mostram que, entre 2022 e 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o dirigente petista Paulo Okamotto transferiram R$ 873 mil ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Foram três transferências feitas por Lula, que somam cerca de R$ 721 mil, além de R$ 152 mil enviados por Okamotto. Não há explicação pública clara para os repasses. Em uma das movimentações, poucos dias após receber parte do dinheiro, Lulinha aplicou cerca de R$ 386 mil em um fundo de investimento. O episódio chama atenção não apenas pelo valor, mas pela contradição política que escancara. Lula construiu sua trajetória apontando o dedo para privilégios, elites e relações suspeitas entre poder e dinheiro. Mas, quando se observa os bastidores, o que aparece é o velho roteiro brasileiro: dinheiro circulando dentro do próprio núcleo do poder — do presidente para o filho, com a participação de um aliado histórico do partido. Pode até haver explicação formal. O problema é o simbolismo. Quem passou décadas vendendo superioridade moral agora se vê diante de uma cena incômoda: o dinheiro do poder fazendo o mesmo caminho de sempre — para dentro da família.

Mensagens de Vorcaro citam encontro com Alexandre de Moraes e menção a Viviane Barci

Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicariam um encontro com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes durante o feriado de 19 de abril de 2025. O conteúdo das conversas, trocadas com a influenciadora Martha Graeff, também menciona uma possível reunião envolvendo a advogada Viviane Barci, esposa do ministro. Os diálogos foram incluídos em documentos analisados pela CPMI do INSS a partir de investigações conduzidas pela Polícia Federal. Vorcaro foi preso na quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A investigação começou apurando suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master e ao Banco de Brasília, mas ganhou novas frentes ao longo do processo, incluindo indícios de corrupção de servidores públicos, intimidação de adversários e acesso ilegal a sistemas governamentais sigilosos. Procurado, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes informou que ele não irá se manifestar sobre o conteúdo das mensagens. O episódio passa agora a integrar o conjunto de informações analisadas pelas autoridades responsáveis pelas investigações e pela comissão parlamentar.

PF abre inquérito após a morte de “Sicário” de Vorcado sob custódia

A Polícia Federal abriu inquérito para investigar as circunstâncias da morte de Luiz Philipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, preso na Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras ligado ao Banco Master. Mourão atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia na Superintendência da PF em Minas Gerais e acabou não resistindo. De acordo com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, toda a movimentação no local e o atendimento prestado pelos policiais estão registrados por câmeras de segurança, sem pontos cegos. A corporação informou que comunicou o ocorrido ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso, e que os registros em vídeo serão encaminhados para análise. A defesa afirmou que havia estado com Mourão horas antes do episódio e que ele apresentava condições físicas e mentais normais até o início da tarde. O advogado declarou que tomou conhecimento do ocorrido apenas após a nota divulgada pela Polícia Federal. Nas investigações, Mourão é apontado como operador da organização criminosa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, atuando em monitoramento de alvos, obtenção ilegal de dados e ações de intimidação.