Barulho de quem teme

A reação de parlamentares lulistas à aprovação da quebra de sigilos de Lulinha na CPMI foi menos política e mais reveladora. Incapazes de aceitar a derrota no voto, partiram para o tumulto e para o confronto físico, oferecendo ao país um espetáculo que mistura nervosismo, intolerância e constrangimento institucional. Em tese, quem confia na própria versão dos fatos deveria defender investigação ampla. Mas a cena desta manhã transmitiu o oposto: um grupo disposto a tensionar o ambiente e constranger o processo justamente quando ele começa a produzir instrumentos concretos de apuração. O excesso de indignação não parece fruto apenas de divergência política. Soa como reflexo do receio sobre o que a quebra de sigilos pode expor. Quando a investigação avança e a reação é o barulho, a leitura inevitável é de preocupação. O lulismo, que frequentemente reivindica para si o discurso institucional, protagonizou um episódio que caminha na direção inversa: tentou transformar um mecanismo legítimo de fiscalização em motivo de confronto. Não é defesa política — é reação defensiva. No fim, a imagem que fica é simples e incômoda: se a apuração provoca tamanho descontrole, talvez o problema não esteja na CPMI, mas no que ela pode revelar.

Bolsonaro não quer Cristina

O vazamento das anotações de Flávio Bolsonaro sobre o cenário eleitoral de 2026 no Paraná funcionou como um balde de água fria em narrativas que vinham sendo construídas nos bastidores. O registro é direto: ao lado do nome de Filipe Barros, a orientação é inequívoca — “Só apoiamos ele”. Em política, poucas frases têm efeito tão definitivo. A escolha está feita, o palanque está delimitado e o recado foi dado sem rodeios. Na outra ponta, Cristina Graeml surge citada como fator que “atrapalharia Filipe”. Não como alternativa, nem como possibilidade complementar, mas como obstáculo. Uma distinção que fala por si. O episódio desmonta a estratégia ensaiada na eleição para prefeito de Curitiba, quando uma ligação telefônica de Jair Bolsonaro foi utilizada para sustentar a imagem de proximidade e apoio político. Funcionou naquele momento como narrativa. O problema é que narrativa não resiste quando confrontada por registros de bastidor. Com as anotações agora públicas, fica mais difícil repetir a tentativa de vender um apoio que, ao que tudo indica, nunca existiu de fato. Se antes era possível alimentar a dúvida, hoje a própria escrita tratou de esclarecê-la. E, diante disso, qualquer nova tentativa de reivindicar esse espaço corre o risco de não soar como articulação política — mas como insistência em uma versão que os bastidores já trataram de negar.