Moro ainda pensa que é juiz

O isolamento político de Sergio Moro dentro da própria federação ficou explícito — e público. Em entrevista à rádio União FM de Toledo, o deputado federal Ricardo Barros não deixou margem para dúvida ao expor a falha central do senador: “Nesses oito meses, o senador Sergio Moro não buscou conquistar o apoio do Progressistas.” Moro sequer procurou o partido para uma aproximação, ignorando uma estrutura decisiva para validar qualquer candidatura. Barros também desmontou o discurso que Moro tenta sustentar ao afirmar que “o União Progressista não é antissistema.” O recado foi direto: a federação é formada por lideranças que operam dentro da política real, com diálogo e articulação — não por narrativas de isolamento. Nos bastidores, a avaliação é que Moro ainda age como se estivesse de toga. Um juiz pode dar uma decisão monocrática e todos são obrigados a cumprir. A política não funciona assim. Moro não é mais juiz — mas ainda não parece ter percebido.

PT rasga a Lei

Nos bastidores, o PT já decidiu que a lei eleitoral é um detalhe incômodo — não um limite real. No Carnaval de São Paulo, leques com o rosto de Lula, o número 13 e slogans de reeleição foram produzidos dentro da estrutura do próprio partido, a partir do gabinete da deputada Juliana Cardoso (PT‑SP), e distribuídos em blocos como o Tarado Ni Você e o Bloco dos Bancários, no centro da capital. Não foi ato espontâneo. Foi ação planejada, financiada e executada com objetivo explícito: iniciar a campanha de Lula antes da hora. Sem pudor, sem disfarce e sem qualquer respeito ao calendário eleitoral que o próprio PT costuma exigir com fervor quando se trata de seus adversários. O lulismo opera com uma certeza perigosa: a de que as regras existem para conter os outros, nunca a si mesmo. Avança, ocupa, distribui material e aposta na velha tática da impunidade — transformar o ilegal em fato consumado e constranger qualquer reação. É o retrato de um partido que já não se preocupa em respeitar a lei, apenas em dobrá‑la até que se adapte aos seus interesses. Para o PT, a eleição nunca termina. E a lei, quando atrapalha, simplesmente deixa de valer.