Ídolos da Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sérgio Moro podem se enfrentar nas urnas no Paraná

Eventual disputa entre antigos protagonistas da operação transforma eleição em julgamento político sobre o legado da Lava Jato As especulações de que Deltan Dallagnol pode surgir como candidato a vice-governador em uma eventual chapa liderada pelo secretário Guto Silva acrescentam um forte componente simbólico ao cenário eleitoral. Caso se confirme, o Paraná poderá assistir a um embate singular: antigos ídolos da Lava Jato se enfrentando diretamente nas urnas. Houve um tempo em que Sergio Moro e Deltan Dallagnol eram praticamente sinônimos de um Brasil que muitos desejavam ver consolidado. Representavam o combate implacável à corrupção e a esperança de uma política mais ética. Moro, em especial, alcançou um patamar de popularidade raro. Tornou-se personagem de carnaval, com milhares de brasileiros usando máscaras com seu rosto — um símbolo inequívoco de idolatria popular e de força narrativa. Mas o pós-Lava Jato foi duro com seus protagonistas. A transição do campo jurídico para o político revelou limites, contradições e custos. Moro deixou o Ministério da Justiça em meio a rupturas, viu ruir o sonho de uma indicação ao Supremo Tribunal Federal e passou a enfrentar um ambiente político muito menos consensual do que o que conhecera como juiz. Dallagnol, por sua vez, sofreu talvez o revés mais simbólico: a cassação de seu mandato como deputado federal, interrompendo de forma abrupta sua trajetória eleitoral. Hoje, ambos carregam não apenas o legado da Lava Jato, mas também as marcas desse processo de desgaste. Se vierem a se enfrentar direta ou indiretamente nas urnas, o confronto extrapola a disputa eleitoral. Será também um julgamento político sobre o que restou daquela esperança coletiva e sobre quem conseguiu — ou não — transformar capital moral em projeto político sustentável. O que um dia foi unidade pode se transformar em enfrentamento. E, desta vez, o veredicto não virá dos tribunais, mas do eleitor.