EDITORIAL: Pimentel freia a indústria da multa e muda a lógica dos radares em Curitiba

Em seis meses de gestão, prefeitura muda padrão da fiscalização e reduz em quase 20% o número de infrações registradas na cidade Por décadas, os radares de trânsito em Curitiba foram vistos com desconfiança. Apelidados de “radares pegadinhas” por motoristas, muitos desses equipamentos pareciam mais preocupados em gerar receita do que em salvar vidas. Mudanças súbitas de limite de velocidade, sinalização precária e pontos mal posicionados alimentaram a fama da “indústria da multa”, tema recorrente de críticas e insatisfação popular. E o fato é que, independente do prefeito, esse problema nunca foi realmente enfrentado, até agora. Em seus primeiros seis meses à frente da Prefeitura, Eduardo Pimentel (PSD) decidiu mudar o jogo. Embora seja sucessor e aliado político de Rafael Greca (PSD), o novo prefeito optou por fazer diferente onde era preciso. Cumprindo promessa de campanha, sua gestão implantou uma nova sinalização em todos os 155 pontos de radares da cidade. A medida, que incluiu faixas refletivas nas colunas dos equipamentos, pinturas chamativas no chão e reforço na visibilidade noturna, deu resultado: o número de infrações caiu quase 20% entre janeiro e maio de 2025 em relação ao mesmo período do ano passado. Mais do que um ajuste técnico, trata-se de uma mudança de postura. A prefeitura trocou o questionamento pela transparência, a armadilha por orientação. Ao deixar evidente onde estão os radares e quais são os limites de velocidade, o poder público devolve ao cidadão o direito de circular com clareza das regras, e, com isso, reforça a ideia de que o trânsito é uma responsabilidade compartilhada. A maior queda nas infrações ocorreu justamente onde o problema mais doía: nas multas por excesso de velocidade superior a 50% do limite da via. Foram mais de 34 mil infrações a menos nesse tipo de ocorrência. A redução também foi expressiva em outras categorias, como o desrespeito à faixa de rolamento, o que reforça o argumento da prefeitura de que, quando o motorista é bem informado, ele respeita as regras e o trânsito fica mais seguro para todos. Leia mais: Câmara de Curitiba bate recordes de produtividade e se destaca no Brasil Essa guinada na política de fiscalização também rompe com uma cultura punitivista enraizada em muitas cidades brasileiras, onde o Estado se esconde atrás de normas pouco objetivas para multar mais e explicar menos. Curitiba dá um passo na direção contrária, ao investir em iluminação adequada, padronização visual e sinalização horizontal antecipada, com a palavra “Radar” pintada no asfalto. São detalhes que parecem simples, mas fazem toda a diferença na experiência do motorista. A decisão de padronizar os radares, dar visibilidade total à fiscalização e acabar com a sensação de emboscada tem um impacto simbólico importante. A gestão Pimentel está dizendo, com ações, que os equipamentos estão ali para orientar e proteger, e não para punir de forma arbitrária. Ao deixar de tratar o cidadão como infrator em potencial, a Prefeitura passa a promover educação e prevenção. É evidente que a fiscalização segue sendo necessária e que os radares não deixarão de aplicar multas quando o limite for desrespeitado. Mas o mérito da atual gestão está em devolver legitimidade ao sistema, acabando com a lógica punitiva e aumentando a transparência. Nesse sentido, os avanços não são apenas técnicos: são políticos. Enfrentar a velha “indústria da multa” exigia coragem, já que se tratava de um sistema consolidado, historicamente lucrativo e amparado por uma burocracia que sempre resistiu a mudanças. Ao optar por uma abordagem mais honesta com o motorista, Eduardo Pimentel mostra que é possível fazer diferente, mesmo sendo continuidade e respeitando o seu antecessor. E, neste caso, fazer diferente do que vinha sendo feito é fazer melhor para o interesse do cidadão. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

Trump reforça defesa de Bolsonaro e diz que falará com Lula

defesa de Bolsonaro

Mesmo sinalizando uma futura conversa com o presidente brasileiro, líder norte-americano manteve críticas ao STF e reiterou apoio ao ex-mandatário do Brasil Em meio à crise diplomática causada pela nova tarifa de 50% imposta aos produtos brasileiros, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou nesta sexta-feira (11) que pretende conversar com Luiz Inácio Lula da Silva, mas apenas “em outro momento”. Apesar da sinalização de possível diálogo com o atual chefe do Executivo brasileiro, Trump reforçou a defesa de Bolsonaro, destacando-o como “um homem muito honesto que ama o povo brasileiro”. A declaração ocorreu durante um evento público nos Estados Unidos, após uma repórter da TV Globo questionar Trump sobre o impacto da medida comercial no relacionamento entre Brasil e EUA. A fala reacende tensões políticas, especialmente diante da atuação do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado de interferência externa para influenciar a decisão da Casa Branca. Apoio firme a Bolsonaro Trump tem mantido uma postura clara em apoio a seu aliado político no Brasil. Ao ser novamente indagado sobre a situação judicial de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), o republicano foi direto: “Ele está sendo tratado de forma injusta. Isso não é democracia”. Nas últimas semanas, Trump já havia se manifestado nas redes sociais em defesa de Bolsonaro, acusando o Judiciário brasileiro de promover uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente. A frase foi interpretada como uma crítica velada ao STF e sua condução do processo que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Para Trump, Bolsonaro representa os ideais conservadores que ele também defende nos EUA, e tem sido alvo de uma perseguição política por representar milhões de brasileiros insatisfeitos com os rumos do país sob Lula. “Ele ama o povo e está sendo punido por isso”, completou. Lula reage com artigo internacional Do lado brasileiro, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva não ficou em silêncio. Em reação ao tarifaço, o presidente publicou um artigo em nove jornais internacionais defendendo o multilateralismo e a retomada de relações comerciais baseadas na reciprocidade e no respeito à soberania dos países. Leia mais: Bolsonaro agradece apoio de Trump, mas pede urgência para “resgatar a normalidade” Além disso, o Palácio do Planalto estuda acionar a Lei da Reciprocidade Econômica para revidar as medidas de Trump. O Itamaraty tem mantido diálogo com parceiros comerciais e organizações internacionais para contestar as novas tarifas, que entram em vigor a partir de 1º de agosto. Lula também afirmou que o Brasil não aceitará pressões unilaterais e reiterou que o país “não será refém de interesses eleitorais estrangeiros”. Eduardo Bolsonaro sob investigação A atuação de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, nos Estados Unidos tem sido foco de investigação por parte do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Ele é suspeito de fazer lobby junto a aliados de Trump para endurecer a postura do governo norte-americano contra o Brasil, como forma de pressionar o governo Lula. O PSOL chegou a protocolar uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR), pedindo a prisão do deputado por “sabotagem internacional e crime de lesa-pátria”. Já a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) solicitou ao Supremo Tribunal Federal o bloqueio de bens e redes sociais de Eduardo, acusando-o de conspirar contra os interesses nacionais. Apesar disso, o núcleo bolsonarista trata a repercussão como uma manobra política e diz que Eduardo apenas atua na defesa de “valores democráticos e da liberdade de expressão”. Clima de tensão e incerteza diplomática A troca de declarações entre Trump e Lula evidencia o clima de tensão entre as duas maiores democracias do continente. Enquanto o presidente brasileiro tenta blindar o país das consequências comerciais, Trump segue capitalizando politicamente o embate, buscando atrair o eleitorado conservador latino nos EUA e apoiar aliados ideológicos no Brasil. O que se desenha é um cenário cada vez mais polarizado, com o apoio de Trump a Bolsonaro reforçando a divisão política brasileira e a oposição tentando responsabilizar o ex-presidente e seus aliados por danos à economia e à imagem internacional do país. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

De olho nas eleições, Moro inicia caravana por 32 cidades do Paraná

Senador vai percorrer o interior com foco em visibilidade política para a disputa do governo A partir deste sábado (12), o senador Sergio Moro (União Brasil) dá início a uma caravana por 32 cidades do Paraná. Ao lado da esposa, a deputada federal Rosangela Moro (União-SP), ele vai usar o recesso do Congresso Nacional para rodar o estado e reforçar sua presença política nos municípios, em um movimento claro de quem já está se posicionando para as eleições de 2026. O roteiro batizado de “Moro no Paraná” começa pelos Campos Gerais e vai até o fim do mês. Segundo o senador, a ideia é prestar contas do mandato e manter o compromisso de estar próximo da população, assumido ainda na campanha de 2022. Leia mais: Pimentel freia a indústria da multa e muda a lógica dos radares em Curitiba “Quando fui candidato, um dos compromissos que assumi foi que não me limitaria a ficar em Brasília, mas que teria constante contato com a população. Tenho feito isso nos finais de semana, e agora vou aproveitar o recesso para circular pelas cidades e conversar com as pessoas”, afirmou. Moro ainda deixou um recado: “Fique de olho aberto porque, de repente, a gente está passando na sua cidade”. Embora o discurso seja de prestação de contas, o giro pelo estado tem forte carga simbólica e eleitoral. Moro tenta manter o capital político ativo após enfrentar instabilidade jurídica no início do mandato e já articula os próximos passos no cenário estadual. Com o PSD dominando o governo do Paraná, o senador busca ocupar espaços e se consolidar como uma opção competitiva para 2026. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

Hillary Clinton critica Trump por taxar produtos do Brasil: “Quer proteger amigo corrupto”

A ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, criticou duramente a decisão de Donald Trump de impor tarifas a produtos brasileiros. Em publicação nas redes sociais, ela acusou o ex-presidente republicano de agir por interesse pessoal e político, com o objetivo de proteger Jair Bolsonaro (PL) “Donald Trump quer proteger seu amigo corrupto do Brasil. Não é surpresa. É assim que ele sempre agiu”, escreveu Hillary. A frase foi compartilhada dias após Trump anunciar que vai sobretaxar produtos de países que, segundo ele, “não respeitam os Estados Unidos”, o que incluiria o Brasil. Leia mais: Lula reage a Trump e ameaça retaliar EUA com Lei de Reciprocidade Comercial O governo brasileiro reagiu com firmeza à medida e à declaração. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu aplicar o princípio da reciprocidade comercial, o que pode levar a retaliações contra produtos norte-americanos. A avaliação interna é de que Trump tenta usar a política externa para reforçar alianças pessoais e eleitorais, mirando a comunidade brasileira nos Estados Unidos e o eleitorado conservador. A manifestação de Hillary reacende o embate entre democratas e republicanos, em um contexto em que Trump tem maioria na Câmara e Senado dos Estados Unidos. O Brasil, nesse cenário, acaba entrando no jogo geopolítico de força do presidente Trump, com possíveis impactos na balança comercial e nas relações bilaterais. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

PSOL pede prisão de Eduardo Bolsonaro por conspiração nos EUA

prisão de Eduardo Bolsonaro

Para partido, ações do deputado junto a Trump atentam contra o Brasil e retomam plano golpista de 2023. A prisão de Eduardo Bolsonaro foi formalmente solicitada pelo PSOL à Procuradoria-Geral da República (PGR), na quinta-feira (10), com base em acusações de que o deputado teria atuado deliberadamente nos Estados Unidos para prejudicar o Brasil. A ação alega que o parlamentar licenciado teria influenciado decisões do governo norte-americano, incluindo o recente aumento tarifário de 50% sobre produtos brasileiros anunciado por Donald Trump. De acordo com a notícia-crime apresentada pelo partido, Eduardo Bolsonaro estaria promovendo o que classificam como “sabotagem internacional” contra as instituições brasileiras, em um movimento interpretado como extensão das tentativas de desestabilização política que culminaram nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Lobby internacional e “chantagem econômica” A presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, afirmou que a atuação de Eduardo nos EUA constitui uma forma de chantagem econômica ao Estado brasileiro. Para ela, é inadmissível que um parlamentar eleito atue fora do país para tentar enfraquecer o governo democraticamente eleito. “É inaceitável que um deputado fuja do Brasil para conspirar contra sua própria nação. Essa prática ultrapassa todos os limites institucionais”, afirmou. A dirigente ainda comparou o caso à tentativa de golpe frustrada em 2023, argumentando que a nova ofensiva tenta minar o Brasil por meios econômicos. “O que não conseguiram pela força, agora tentam por sabotagem financeira e diplomática”, declarou Coradi. Leia mais: Bolsonaro agradece apoio de Trump, mas pede urgência para “resgatar a normalidade” O PSOL vê no aumento tarifário anunciado por Trump um reflexo direto da atuação de Eduardo Bolsonaro junto a setores do Partido Republicano e da ultradireita americana. A legenda sustenta que o deputado tem usado sua influência para instigar retaliações contra o atual governo brasileiro, prejudicando a imagem e os interesses do país no exterior. STF também é acionado por Erika Hilton Paralelamente à ação protocolada na PGR, a deputada federal Erika Hilton, também do PSOL, acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir medidas cautelares contra Eduardo Bolsonaro. Entre os pedidos estão o bloqueio de seus bens, contas bancárias e perfis em redes sociais. Erika sustenta que Eduardo Bolsonaro cometeu crime de lesa-pátria ao, segundo ela, colaborar para decisões que ferem a soberania brasileira. “Ele está escondido nos Estados Unidos enquanto promove ataques à democracia nacional. E pior: com financiamento de recursos públicos e privados”, argumentou. A parlamentar ainda defende que a atuação de Eduardo viola princípios de tratados internacionais firmados pelo Brasil e compromete as relações diplomáticas com outras nações. Ela exige, portanto, que o STF avalie com urgência as medidas propostas para impedir a continuidade das articulações internacionais do deputado. Bolsonaro e o tarifaço O centro das acusações gira em torno do recente anúncio do presidente norte-americano Donald Trump, que, em seu retorno à cena política, decidiu impor uma tarifa de 50% sobre uma série de produtos brasileiros. A medida gerou forte repercussão no Brasil e provocou reações de parlamentares, empresários e representantes do agronegócio. Embora a motivação oficial do tarifaço não tenha sido divulgada em detalhes, lideranças de esquerda afirmam que a iniciativa teve influência direta de Eduardo Bolsonaro, que teria incentivado o endurecimento com o Brasil como forma de pressão política sobre o governo Lula. A iniciativa do PSOL coloca mais um elemento de tensão no cenário político nacional, ao mesmo tempo em que reacende o debate sobre os limites da atuação internacional de parlamentares brasileiros. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

Com apoio político crescente, Marcelo Dal Negro ganha força rumo a 2026

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Chefe de Gabinete da prefeita Nina Singer conquista respaldo de vereadores e fortalece sua possível candidatura a deputado federal O nome de Marcelo Dal Negro começa a circular com mais intensidade no cenário eleitoral de 2026, impulsionado por um expressivo apoio político conquistado dentro de São José dos Pinhais. Chefe de Gabinete da prefeita Nina Singer e presidente estadual da Juventude do PP (Progressistas), Dal Negro recebeu o respaldo de dez vereadores do município, que defendem abertamente a necessidade de uma representatividade local na Câmara dos Deputados. O gesto dos parlamentares, que equivale a quase metade do Legislativo municipal, sinaliza que Marcelo tem se consolidado como um nome viável e competitivo dentro da Região Metropolitana de Curitiba. O cenário reforça os sinais de que sua pré-candidatura a deputado federal está cada vez mais próxima de se tornar realidade. Articulação local e regional A reunião realizada recentemente em São José dos Pinhais foi mais do que uma simples conversa política. Para muitos, tratou-se de um passo simbólico rumo à formalização de uma candidatura que vem sendo articulada nos bastidores com o aval de lideranças importantes do PP, como o deputado federal Ricardo Barros — um dos nomes mais influentes da legenda no Paraná. Leia mais:  Bolsonaro agradece apoio de Trump, mas pede urgência para “resgatar a normalidade” Marcelo, que já vinha demonstrando interesse na disputa, deixou claro que qualquer movimento será feito em consonância com as diretrizes do partido. “Sou um soldado do Progressistas. Qualquer decisão será tomada com diálogo, responsabilidade e compromisso com a base que represento”, declarou. Possível dobradinha fortalece projeto Além do respaldo interno, outro fator pode impulsionar ainda mais a empreitada de Marcelo Dal Negro: a possibilidade de uma “dobradinha” com o deputado estadual Thiago Bührer (União Brasil), que também é de São José dos Pinhais. A união de forças entre os dois, que já possuem atuação consolidada no município, poderia potencializar o desempenho eleitoral de ambos e garantir maior representatividade da cidade tanto na Assembleia Legislativa quanto no Congresso Nacional. Esse alinhamento regional é visto como estratégico por aliados, especialmente diante do esvaziamento de quadros locais no cenário federal. A avaliação entre os apoiadores é de que a cidade, uma das mais importantes da Região Metropolitana, carece de vozes atuantes em Brasília — e Marcelo seria o nome ideal para suprir essa lacuna. Juventude e trajetória política Com atuação destacada na Juventude Progressista, Marcelo tem buscado ampliar sua base de apoio entre os jovens e lideranças comunitárias. Seu perfil técnico e político, aliado à experiência como braço direito da prefeita Nina Singer, o credencia para voos mais altos dentro do partido. Aliados também apontam que sua proximidade com o governo estadual e sua capacidade de articulação o colocam como figura de destaque em um cenário em que nomes novos e com trânsito entre esferas municipais, estaduais e federais são cada vez mais valorizados. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

Bolsonaro agradece apoio de Trump, mas pede urgência para “resgatar a normalidade”

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Ex-presidente diz que o Brasil precisa reagir diante de perseguições e vê no gesto de Trump um sinal contra o autoritarismo O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reagiu na quinta-feira (9) ao gesto de solidariedade de Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, que saiu em sua defesa diante das investigações em andamento no Brasil. Bolsonaro agradeceu o apoio de Trump e usou suas redes sociais para pedir que os Poderes brasileiros ajam com urgência para restaurar a “normalidade institucional”, alegando que o país vive um período de perseguição política e ameaça à democracia. A declaração veio após Trump divulgar uma carta ao governo brasileiro, em que classificou os processos contra Bolsonaro como uma “caça às bruxas”. Foi a primeira manifestação pública de Bolsonaro sobre o tema desde que a mensagem de Trump repercutiu internacionalmente. Sinal de aliança internacional Em postagem no X (antigo Twitter), Bolsonaro escreveu: “Peço aos Poderes que ajam com urgência apresentando medidas para resgatar a normalidade institucional. Ainda é possível salvar o Brasil.” O ex-presidente disse conhecer a “firmeza e a coragem” de Donald Trump e afirmou que a perseguição não se limita a ele, mas se estende a milhões de brasileiros que, segundo ele, defendem a liberdade. Leia mais: Lula não pretende telefonar para Trump e prepara retaliação comercial, diz Planalto “Essa caça às bruxas — termo usado pelo próprio Trump — não é apenas contra mim. É contra milhões de brasileiros que lutam por liberdade e se recusam a viver sob a sombra do autoritarismo. Conheço a firmeza e a coragem de Donald Trump na defesa desses princípios”, completou Bolsonaro, reforçando a importância do apoio de Trump em sua narrativa política. Críticas à política externa de Lula A manifestação de Bolsonaro também incluiu críticas à condução da política externa do governo Lula. Para ele, as novas sanções econômicas impostas por Trump ao Brasil seriam resultado direto do “afastamento do Brasil dos seus compromissos históricos com a liberdade, o Estado de Direito e os valores que sempre sustentaram nossa relação com o mundo livre”. Embora evite criticar diretamente os Estados Unidos, Bolsonaro defendeu que tais medidas jamais teriam ocorrido sob seu comando. “Respeito e admiro o governo americano. Essas ações são resposta à guinada ideológica que o Brasil tomou recentemente”, afirmou. Estratégia política e riscos calculados Nos bastidores, aliados do ex-presidente enxergam na crise diplomática uma oportunidade para reposicioná-lo no debate público e nacionalizar o embate contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O apoio de Trump é visto como uma chancela simbólica que fortalece Bolsonaro junto à sua base conservadora e reforça a narrativa de que ele estaria sendo perseguido por suas convicções políticas. Além disso, há a expectativa de que o gesto de Trump mobilize setores do Congresso Nacional mais simpáticos ao ex-presidente, além de desgastar a imagem do governo Lula no campo internacional, especialmente junto a setores empresariais preocupados com o impacto das tarifas. Por outro lado, o movimento não está isento de riscos. Caso o gesto não gere repercussões práticas — como uma reversão das tarifas ou pressão real sobre o Judiciário —, Bolsonaro pode se ver ainda mais isolado, especialmente se o STF avançar com punições administrativas e judiciais nos processos em andamento. Liberdade em xeque No centro da narrativa bolsonarista, está a defesa das liberdades individuais e institucionais. “O que está em jogo é a liberdade de expressão, de imprensa, de consciência e de participação política”, afirmou Bolsonaro. O discurso, que ecoa bandeiras tradicionais da direita, busca transformar a crise em oportunidade para rearticular sua imagem como defensor das instituições democráticas. Enquanto isso, o Planalto adotou tom cauteloso. Em nota durante a cúpula do Brics, o presidente Lula afirmou que o Brasil é um país soberano e não aceita “interferência ou tutela de quem quer que seja”. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!