Requião Filho: do racha com o PT à candidatura majoritária em 2026

Deputado é considerado uma das maiores lideranças da oposição na ALEP Filho do ex-governador Roberto Requião (sem partido), o deputado estadual Requião Filho (sem partido) tem consolidado sua trajetória política na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) com uma atuação marcada pela defesa da transparência e o enfrentamento à corrupção. Advogado de formação e especialista em políticas públicas, ele cumpre atualmente seu terceiro mandato consecutivo como parlamentar estadual. Maurício Thadeu de Mello e Silva, nome de batismo do deputado, nasceu em Curitiba em 24 de outubro de 1979. Desde cedo, acompanhou a vida pública do pai, o que acabou influenciando sua própria entrada na política. Em 2014, elegeu-se deputado estadual pelo PMDB, sigla em que permaneceu até se filiar ao Partido dos Trabalhadores (PT). Em 2022, foi reeleito pela legenda petista, mas anunciou sua saída do partido em janeiro de 2025, alegando divergências com a condução da sigla no Paraná. Além de ter sido candidato à Prefeitura de Curitiba em 2016 — quando terminou em quinto lugar na disputa — Requião Filho tem presença ativa nas grandes discussões do parlamento. Atualmente ocupa o cargo de terceiro secretário da mesa executiva da casa estadual de leis. Saída do PT e acordo entre Ratinho Junior e Lula Em entrevista exclusiva ao Politiza, o parlamentar destacou os motivos que o levaram a sair do PT e negociar com o PDT. “[O que me levou a sair do PT foi] a falta de coerência do partido, a falta de manter o seu discurso. É um governo complicado que para se eleger se apresentou de um jeito, conseguiu apoio e, depois de eleito, vem com a desculpa da governabilidade. A gente tem que entender que o Brasil é dos brasileiros. Não pode ser refém de um Congresso, não pode ter um governo que não queira conversar com a sua população e que a preocupação principal seja agradar a Faria Lima e deixar de lado mais de 220 milhões de brasileiros”, disse o político. Requião Filho faz duras críticas a executiva nacional do PT e diz que o governo que hoje está em Brasília não é o mesmo que fez campanha em 2022. “Eu acho que o PT traiu a sua história. É melhor que o Bolsonaro? Sem dúvidas. Tem acertos? Com certeza. Mas os erros apresentados pelo PT são erros que hoje tornam insustentável a minha permanência lá e a minha defesa desse governo”, comentou. Leia mais: Fernando Francischini: da cassação inédita ao retorno à política Já sobre a relação com a bancada estadual do Partido dos Trabalhadores, o parlamentar diz que há uma grande harmonia e proximidade, diferentemente do que acontece com os caciques nacionais. “Eu nunca tive problema com os deputados e a militância do PT. O meu problema foi com a cúpula do PT, porque eu tenho essa mania de botar o dedo na ferida, de falar o que eu penso de forma clara e objetiva. Lá dentro existe uma cultura de que a gente não pode expor o partido e trazer os problemas para fora. O partido hoje existe com dinheiro público e tudo que é gerido pelo dinheiro público tem que ser transparente e um jogo aberto. E quando eles faziam negociatas, seus acordos, suas reuniões a portas fechadas no ar-condionado e deixava de fora o povo, eu batia pesado. Então, meu problema nunca foi com a militância, foi sempre com a cúpula que, na minha opinião, se perdeu na sede de poder”. Pedágios: Lula embarcou em proposta de Bolsonaro Um dos grandes pontos de divergência entre o clã Requião e o PT foi o acordo entre o Governo do Paraná e o Governo Federal para um modelo de pedágio diferente do que foi proposto pela candidatura petista em 2022. Roberto Requião queria o chamado “pedágio de manutenção”, que teria preços mais baixos e servia apenas para a organização, limpeza e cuidado das vias. Já o modelo de Ratinho Junior prevê um pacote de obras maior, concessão para empresas privadas e um valor maior de cobrança. Com a reeleição do governador paranaense, o novo Governo Federal, por meio do Ministério dos Transportes, embarcou na proposta adversária e aceitou dividir as rodovias paranaenses em seis lotes que seguem indo a leilão na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3. Para Requião Filho, a proposta que foi construída no governo de Jair Bolsonaro (PL) foi prontamente aceita pelo governo de Lula. “A proposta foi escrita pelo Ratinho e Bolsonaro. Uma proposta que tem milhares de garantias para as pedageiras. Eles não perdem dinheiro nunca, tem garantia de lucro, de investimentos. Eles sequer precisaram aportar dinheiro, foi o próprio BNDES que deu dinheiro para o pedágio. Poderia ter dado esse dinheiro direto para o Governo Federal ou estadual e fazer as obras por um preço mais barato e licitadas. Tudo bem, às vezes a coisa pública demora mais um pouco, mas se ela é bem gerida e séria, ela é mais barata e mais eficaz”, detalha o parlamentar. Candidatura majoritária em 2026 Sobre a afirmação de que vai ser candidato ao Governo do Paraná em 2026, Requião Filho afirmou que não deve contar com apoio nem do Governo Federal e nem do estadual e que estuda ser uma alternativa fora da polarização para o paranaense. “A nossa ideia é construir um plano, porque ninguém é candidato de si mesmo. Eu sou hoje um pré-candidato que não tem nem a benção do Palácio Iguaçu e nem do Palácio do Planalto. Nós estamos fora do sistema, mas nós queremos fazer a boa política. Nós queremos uma opção de política pública, de investimento, de educação, de saúde, de segurança, geração de emprego, menos impostos e mais empregos aqui no Estado do Paraná. Não apenas para um nicho da população, mas para aquele paranaense que faz o Estado acordar cedo, girar, crescer e dormir com orgulho de ser paranaense. É para esses que estamos construindo a proposta”, diz. Requião Filho também afirmou que, ao se lançar pré-candidato, quer tirar a discussão sobre “lado A e lado
Paraná reduz desmatamento ilegal da Mata Atlântica em 64,9% e lidera ações de fiscalização

Estado teve o terceiro melhor desempenho do país e reforça monitoramento com tecnologia e autuações O desmatamento ilegal no Paraná caiu 64,9% em 2024, segundo o novo Relatório Anual do Desmatamento (RAD), divulgado pelo MapBiomas nesta quinta-feira (15). A área devastada da Mata Atlântica passou de 1.230 hectares em 2023 para 432 hectares neste ano. Em quatro anos, a redução acumulada chegou a 95%. O Paraná teve o terceiro melhor desempenho proporcional do Brasil, ficando atrás apenas do Distrito Federal (-95,1%) e de Goiás (-71,9%). O resultado supera o dobro da média nacional, que registrou uma queda de 32,4% no mesmo período. Estados com alta no desmate Enquanto o Paraná reduzia o desmatamento, outros estados seguiram na direção oposta. O Rio de Janeiro teve um aumento de 94,2%, seguido pelo Rio Grande do Sul (70,6%), fortemente afetado por desastres climáticos, e o Acre (31,3%). Apesar do bom desempenho, o secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, reforçou que o trabalho continua. “Precisamos avançar até zerar o desmatamento ilegal no Paraná. A Mata Atlântica precisa ser preservada, expandida e valorizada”, afirmou. Liderança em fiscalização Entre 2019 e 2024, o estado se destacou também pela atuação firme na fiscalização ambiental. O Instituto Água e Terra (IAT) atendeu 82,2% das ocorrências reportadas e emitiu autos de infração em 77% dos casos. Everton Souza, diretor-presidente do IAT, atribui os resultados à mobilização intensa do governo. “Reduzir o desmatamento ilegal no Paraná é uma obsessão. A atuação em campo, os alertas por satélite e as autuações têm dado resultado.” Leia mais: Conafer é a entidade que mais ampliou descontos do INSS mas não está na lista da AGU O número de infrações ambientais ligadas à flora nativa saltou 65% entre 2021 e 2024, passando de 3.183 para 5.252. O valor das multas cresceu 70%, atingindo R$ 134 milhões no ano passado. Toda arrecadação é destinada ao Fundo Estadual do Meio Ambiente. Tecnologia como aliada O combate ao desmatamento no Paraná ganhou força com o uso de tecnologia. Imagens de satélite das plataformas MapBiomas, Planet, Sentinel-2, Google Earth Pro e da ESRI permitem identificar supressões a partir de 0,2 hectare, mesmo em áreas remotas. O Núcleo de Inteligência Geográfica e da Informação (NGI), criado em 2019, analisa os danos ambientais e envia relatórios para as equipes de fiscalização. A engenheira florestal Aline Canetti explicou que as diferenças entre os números do MapBiomas (432 ha) e da Fundação SOS Mata Atlântica (226 ha) estão na metodologia. “O MapBiomas detecta áreas menores e, por isso, registra mais ocorrências.” Novos sistemas em implantação Com o programa i9 Ambiental, o estado está modernizando todo o processo de fiscalização. Um dos destaques é o sistema Fica, que será concluído em 2025. Ele integrará autuações, licenciamento ambiental e monitoramento em tempo real, com apoio de geotecnologias. Um dos recursos já em fase de implantação é o aplicativo Auto de Infração Ambiental Eletrônico (AIA-e), que permite registrar infrações ambientais diretamente no local, com uso de georreferenciamento. Ajude a combater crimes ambientais A população também pode ajudar a proteger a fauna e flora. Denúncias podem ser feitas pelo Disque 181, da Polícia Militar Ambiental, ou diretamente na Ouvidoria do IAT. Informações detalhadas e precisas aumentam a eficácia das investigações. Biomas e tendências no Brasil O estudo do MapBiomas mostrou que, em 2024, o desmatamento caiu em quase todos os biomas. Houve redução de 58,6% no Pantanal, 42,1% no Pampa, 41,2% no Cerrado, 16,8% na Amazônia e 13,4% na Caatinga. Já na Mata Atlântica, houve leve aumento de 2%, caracterizado como estabilidade. O levantamento também revelou que mais de 93% da vegetação derrubada no Brasil em 2023 apresentou indícios de ilegalidade. Além disso, 97% da destruição estão ligados à expansão agropecuária. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Conafer é a entidade que mais ampliou descontos do INSS mas não está na lista da AGU

Confederação multiplicou descontos em benefícios e movimentou milhões sob suspeita de lavagem de dinheiro A Confederação Nacional de Agricultores Familiares (Conafer) é investigada por envolvimento em um esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS. Entre 2019 e 2024, os valores cobrados da folha de pagamento de aposentados saltaram de R$ 400 mil para impressionantes R$ 277 milhões. Esse aumento a coloca como a entidade com maior crescimento absoluto nos descontos. Crescimento durante a pandemia Em apenas quatro meses de 2020, período crítico da pandemia de Covid-19, a confederação incluiu mais de 73 mil novos beneficiários com descontos. A média foi de 610 filiações por dia. A movimentação atípica chamou atenção da Polícia Federal, que deflagrou as duas primeiras fases da operação Sem Desconto. Suspeitas de lavagem e movimentação milionária As investigações revelam que a Conafer recebeu mais de R$ 100 milhões do Fundo do Regime Geral de Previdência Social (FRGPS), controlado pelo INSS. Parte desse valor, segundo a apuração, foi repassada diretamente ao presidente da entidade, Carlos Roberto Ferreira Lopes, em um montante de R$ 812 mil. Leia mais: Ministro da Previdência e Sergio Moro trocam acusações em audiência sobre fraudes no INSS Além disso, a Polícia Federal rastreou transferências da confederação para o casal Cícero Marcelino e Ingrid Pikinskeni, apontados como operadores financeiros do esquema. O dinheiro, segundo o relatório, circulava por diversas empresas ligadas ao grupo, em uma possível estratégia de dispersão e ocultação de recursos. Para os investigadores, o padrão indica prática de lavagem de dinheiro. Ameaças a servidores e denúncia anterior Antes da operação federal, a Conafer já havia sido alvo de inquérito da Polícia Civil do Distrito Federal em 2020. Na época, servidores do INSS relataram que sofreram ameaças enquanto investigavam os acordos da entidade com o instituto. A investigação, conduzida com o Ministério Público do DF, acabou sendo remetida à Justiça Federal, que repassou o caso à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal. Fora da lista da AGU, por enquanto Apesar das suspeitas e da movimentação financeira suspeita, a Conafer não figura entre as 12 entidades incluídas em uma ação cautelar da Advocacia-Geral da União (AGU). Essa ação visa bloquear bens para ressarcir aposentados que sofreram descontos indevidos. Segundo a AGU, os nomes escolhidos foram definidos com base em uma apuração administrativa iniciada em 5 de maio. O órgão afirmou que novas medidas judiciais serão tomadas no momento oportuno. “A AGU atuará com firmeza para responsabilizar todos os envolvidos e garantir a reparação integral aos prejudicados”, declarou o órgão. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, é afastado pela Justiça; Fernando Sarney assume interinamente e convoca eleições urgentes

Problemas adminstrativos na CBF ocorrem em meio a mudança de treinador da Seleção A Justiça do Rio de Janeiro determinou o afastamento imediato de Ednaldo Rodrigues da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na última quinta-feira (15). A decisão judicial foi motivada por irregularidades no processo de reeleição de Rodrigues, incluindo a suspeita de falsificação da assinatura do vice-presidente da entidade, Coronel Nunes, em um documento que validava a permanência do dirigente até 2030. O afastamento foi decretado pelo desembargador Gabriel Zefiro, que analisou as provas apresentadas e entendeu que havia fortes indícios de que o processo eleitoral da CBF não seguiu os trâmites legais exigidos, colocando em risco a legitimidade da gestão atual. Com a saída temporária de Rodrigues, assume interinamente o vice-presidente mais antigo da entidade, Fernando Sarney. O interventor não perdeu tempo e, em sua primeira manifestação oficial, convocou eleições urgentes para o comando da CBF, ressaltando a importância de um processo transparente e célere para garantir a estabilidade da entidade e do futebol brasileiro. “Considerando que a referida decisão me atribuiu, na condição de Vice-Presidente mais antigo da CBF, a responsabilidade de convocar em caráter de urgência novas eleições para os cargos diretivos da CBF, informou que já assinei o termo de posse e que a nova eleição para o cargo de Presidente da CBF – Quadriênio 2025-2029 será convocada o mais rápido possível”, afirmou Sarney. O presidente interino também garantiu a manutenção de todos os contratos e compromissos da entidade, inclusive a continuidade do trabalho com o técnico Carlo Ancelotti, contratado recentemente para assumir a Seleção Brasileira. Histórico da CBF já apontava problemas A decisão judicial acontece em meio a um histórico de turbulências na presidência da CBF. Em dezembro de 2023, Rodrigues foi afastado do cargo após uma série de denúncias e questionamentos sobre sua gestão, mas retornou depois de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, com a determinação do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), ele tenta novamente reverter a situação na Suprema Corte. Leia mais: Outros famosos já foram convocados para a CPI das Bets; saiba quem O episódio gerou um clima de incerteza não só na CBF, mas também entre clubes, jogadores e torcedores, que aguardam com expectativa a preparação da Seleção para os próximos desafios internacionais, principalmente a Copa do Mundo de 2026. A contratação de Carlo Ancelotti, técnico de renome mundial, era vista como um passo importante para a renovação do futebol brasileiro após resultados abaixo do esperado em competições recentes. Especialistas e dirigentes do esporte acompanham de perto os desdobramentos e esperam que a convocação de novas eleições traga a estabilidade necessária para que a CBF volte a focar em seus principais objetivos: o desenvolvimento das categorias de base, a organização dos campeonatos nacionais e o sucesso da Seleção Brasileira. Enquanto isso, Carlo Ancelloti já foi comunicado do afastamento daquele que assinou seu contrato, mas afirmou a interlocutores que seu contrato é com a CBF e que nada muda em sua decisão de assumir o comando da Seleção Brasileira de olho na próxima Copa do Mundo. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!