Lula propõe revisão da jornada 6×1 em pronunciamento do Dia do Trabalho

Presidente fez anúncio em paralelo à discussão das mudanças propostas no Imposto de Renda Em seu pronunciamento de 1º de Maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu mudanças profundas em dois temas caros aos trabalhadores brasileiros: a jornada de trabalho 6×1 e as fraudes que vêm drenando recursos de aposentados e pensionistas nos últimos anos. Falando em cadeia nacional de rádio e televisão, Lula adotou um tom firme e fez acenos diretos à classe trabalhadora, prometendo que seu governo não apenas respeitará os direitos já conquistados, mas vai trabalhar para ampliar a proteção social no país. Um dos pontos de maior destaque do discurso foi a proposta de rever a escala 6×1 — sistema que prevê seis dias de trabalho seguidos por apenas um de descanso. “Nós vamos aprofundar o debate sobre a redução de trabalho vigente no país, a chamada jornada 6×1. Está na hora do Brasil dar esse passo ouvindo todos os setores, para permitir um equilíbrio entre a vida profissional e o bem-estar de trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou Lula. Leia mais: Fusão entre PSDB e Podemos avança nacionalmente, mas esbarra em conflito entre Beto Richa e Cristina Graeml no Paraná Segundo o presidente, essa discussão precisa sair do papel, especialmente num momento em que diversos países estão testando modelos de jornadas mais curtas, com bons resultados em produtividade e qualidade de vida. A fala, que tem repercutido nas redes sociais, foi vista como um sinal verde para que o Ministério do Trabalho abra diálogo com centrais sindicais, empresários e parlamentares sobre possíveis mudanças na legislação trabalhista. Presidente elogia descoberta de fraudes no INSS Lula também se mostrou indignado com os casos de fraudes identificadas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que envolveram o desconto irregular de contribuições de aposentados para supostas associações, muitas delas fantasmas ou sem qualquer relação com os beneficiários. “Determinei a Advocacia-Geral da União (AGU) que as associações que praticaram cobranças ilegais sejam processadas e obrigadas a ressarciar as pessoas que foram lesadas”, afirmou. O presidente chamou as fraudes de esquema criminoso e ressaltou que os desvios ocorriam desde 2019. A Controladoria-Geral da União (CGU) estima que mais de 800 mil pessoas foram vítimas do esquema, que pode ter movimentado cifras milionárias. Ainda durante o discurso, Lula fez questão de lembrar conquistas históricas do movimento trabalhista, como o salário mínimo e a CLT, e reforçou que seu governo não aceitará retrocessos nos direitos dos trabalhadores. “O futuro é o resultado daquilo que estamos plantando hoje. Estamos construindo um Brasil mais justo, onde o humanismo e o desenvolvimento caminham juntos”, disse, ao defender os dois anos e meio de seu terceiro mandato. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Fusão entre PSDB e Podemos avança nacionalmente, mas esbarra em conflito entre Beto Richa e Cristina Graeml no Paraná

As duas lideranças políticas trocaram farpas públicas durante as eleições de 2024 A possível fusão entre o PSDB e o Podemos, anunciada com entusiasmo pelas direções nacionais das duas siglas, promete redefinir o cenário político do centro democrático brasileiro. Mas, no Paraná, onde ambos os partidos têm lideranças fortes e históricas — e também desavenças públicas — o desafio será bem mais complexo do que a nota oficial deixa transparecer. Na semana passada, a Executiva Nacional do PSDB aprovou o início das negociações formais com o Podemos, visando à unificação das legendas. A proposta, segundo a nota oficial do PSDB, é construir uma alternativa de centro capaz de furar a polarização entre lulismo e bolsonarismo. O Podemos, presidido nacionalmente pela deputada federal Renata Abreu, também emitiu um comunicado celebrando a possibilidade de fusão e destacando a convergência programática entre os partidos. No Paraná, no entanto, a situação é menos pacífica. Beto Richa, liderança tucana contestada O principal nome do PSDB paranaense é o ex-governador e hoje deputado federal Beto Richa, que carrega não apenas o legado de dois mandatos no executivo estadual, mas também o peso de uma prisão durante a Operação Lava Jato. Em nota enviada à reportagem, Richa confirmou o andamento das tratativas e defendeu a união com o Podemos como algo “natural”, especialmente no estado: “Estamos trabalhando pela construção de um centro democrático no Brasil, junto com o Podemos e outras forças, capaz de dialogar com todos os campos políticos […] No Paraná, Podemos e PSDB são próximos em princípios e visão de país, o que torna natural um futuro conjunto”, declarou o ex-governador. A fala contrasta com o que se vê no campo político paranaense: o PSDB de Richa e o Podemos de Cristina Graeml ocupam espaços distintos — e em alguns momentos, francamente hostis. Cristina Graeml: crítica da velha política Jornalista e pré-candidata ao Senado Federal, Cristina Graeml é um dos principais nomes do Podemos no Paraná. Defensora ferrenha da Lava Jato e alinhada a pautas conservadoras, Graeml já travou embates públicos com Beto Richa. Em 2024, publicou críticas nas redes sociais ao ex-governador, sugerindo que ele estava alinhado ao projeto político do então adversário Eduardo Pimentel (PSD) mesmo com o histórico de denúncias. Richa respondeu em tom duro, acusando Graeml de disseminar “fake news” e “atacar para se promover”. Leia mais: Governo Federal assina concessão dos lotes 3 e 6 do novo pedágio no Paraná Esse histórico de animosidade levanta dúvidas sobre a viabilidade de uma convivência pacífica dentro de um partido unificado. Procurada pela reportagem, Graeml preferiu não comentar a possível fusão, afirmando por meio de sua assessoria que não faz parte da Executiva Nacional. A nota acrescenta: “Vamos aguardar a decisão final e depois analisar nossa situação no partido.” A equação Beto + Cristina Caso a fusão se concretize, o novo partido precisará administrar não apenas disputas ideológicas, mas também egos, históricos e ambições. Como acomodar no mesmo diretório estadual um ex-governador com pretensões de retorno ao executivo e uma possível parlamentar em ascensão que construiu sua imagem justamente combatendo figuras como ele? A resposta, por ora, parece incerta, mas a executiva nacional do Podemos aposta no diálogo: “Acreditamos que a soma de forças entre nossas siglas representa não apenas o crescimento de nossas estruturas, mas, principalmente, a união de propósitos e valores que colocam o interesse público acima de disputas ideológicas”, escreveu Renata Abreu. No Paraná, onde a memória das operações anticorrupção ainda é recente e o embate entre Beto Richa e Cristina Graeml ainda ecoa nas redes, essa união de propósitos está longe de ser simples. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Oposição atinge assinaturas necessárias e avança com CPI do INSS

Investigação mira esquema bilionário de descontos ilegais em benefícios; criação da CPI depende de Hugo Motta A oposição na Câmara dos Deputados confirmou, na noite de terça-feira (29), que reuniu o apoio necessário para instalar a CPI do Roubo dos Aposentados. Ao todo, foram coletadas 171 assinaturas, número mínimo exigido para apresentar o pedido formalmente. A proposta é liderada pelo deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), que agradeceu o apoio dos colegas Cabo Gilberto Silva (PL-PB), Zucco (PL-RS) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). “A CPI do Roubo dos Aposentados vai acontecer”, declarou Chrisóstomo nas redes sociais. Agora, a criação da comissão depende de um despacho do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Fraude pode ter desviado mais de R$ 6 bilhõesO pedido de CPI surge após a Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação revela um amplo esquema de descontos indevidos em benefícios pagos pelo INSS, realizados por entidades sindicais e associativas. Entre 2019 e 2024, o grupo pode ter movimentado ilegalmente cerca de R$ 6,3 bilhões. Segundo a CGU, há indícios de uso indevido de dados, fraude em assinaturas eletrônicas e cobranças feitas até mesmo de pessoas analfabetas ou com doenças incapacitantes. Cobranças sem consentimentoO esquema consistia em descontar mensalidades associativas diretamente dos aposentados, sem consentimento prévio. Muitos nem sabiam que estavam filiados às entidades. Embora a legislação permita esse tipo de desconto, ela exige autorização expressa. Porém, brechas legais facilitaram os abusos, especialmente após a revogação, em 2022, de uma norma que exigia revalidação periódica dessas autorizações. Mais de 300 operações já realizadasO ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que o governo está empenhado em punir os responsáveis. “Vamos colocar na prisão todos os envolvidos nesses crimes hediondos”, disse, durante audiência na Câmara. Leia mais: Bolsonaro chama ato em Brasília por anistia dos presos do 8 de Janeiro A PF já cumpriu mais de 300 mandados de busca e apreensão. O ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi afastado por decisão judicial e demitido pelo presidente Lula. Segundo dados do próprio INSS, só em dezembro de 2024, 41 entidades conveniadas receberam juntas R$ 290,8 milhões. Onze delas estão sob investigação. Convênios suspensos e valores bloqueadosApós o escândalo, o governo suspendeu todos os convênios que autorizavam descontos em folha. A decisão vale até que os mecanismos de controle sejam reformulados. O ministro da Previdência, Carlos Lupi, confirmou a medida durante audiência na Câmara. “A partir de hoje, todas as entidades estão descredenciadas. No próximo mês, os valores serão devolvidos”, garantiu. Mesmo os descontos previamente autorizados serão bloqueados. Além disso, os bens das entidades envolvidas já estão bloqueados, com objetivo de garantir o ressarcimento às vítimas. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Após polêmicas, pastor mirim Miguel Oliveira é afastado dos púlpitos e das redes sociais

Jovem de 15 anos deixa pregações e redes após ação do Conselho Tutelar e reação negativa do público O pastor mirim Miguel Oliveira, de 15 anos, teve suas atividades religiosas suspensas. A decisão, divulgada nesta terça-feira (29), envolve o Conselho Tutelar, os pais do jovem e a liderança da igreja onde ele atuava. A medida afasta Miguel de pregações presenciais e online. Também determina sua saída das redes sociais, incluindo o perfil no Instagram com mais de 1 milhão de seguidores. Além disso, o adolescente deixará o ensino à distância e voltará às aulas presenciais. Críticas nas redes sociais motivaram açãoO afastamento acontece após uma série de polêmicas. Um dos vídeos que mais gerou repercussão mostra Miguel rasgando exames médicos de uma mulher enquanto declara curas milagrosas. A cena foi amplamente criticada. Muitos usuários apontaram riscos à saúde de fiéis que, segundo eles, poderiam abandonar tratamentos médicos. Família recebe ameaças e aciona o MPDiante das reações negativas, os pais de Miguel — Erica e Marcelo — procuraram o Ministério Público de São Paulo. O caso está sob responsabilidade da Promotoria da Infância e da Juventude, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Segundo a assessoria do jovem, os pais decidiram que ele não participará mais da mídia. Leia mais: Bolsonaro chama ato em Brasília por anistia dos presos do 8 de Janeiro “A família prefere o silêncio. Já houve boletins de ocorrência, mas nada aconteceu. As ameaças passaram dos limites”, afirmou uma integrante da equipe à coluna de Paulo Cappelli. Reputação dividida entre fé e controvérsiasMiguel ficou conhecido em cultos evangélicos e nas redes por seu estilo inflamado e declarações ousadas. Natural de Carapicuíba (SP), ele afirma ter nascido surdo, mudo e sem cordas vocais — e que foi curado por um milagre aos 3 anos. Desde então, se apresenta como missionário, realizando pregações pelo país. Ele afirma já ter curado um homem paralítico e uma mulher com leucemia. Em outra ocasião, foi acusado de exigir doações em dinheiro durante cultos. “Quero quatro pessoas no altar para doar R$ 1 mil. A velocidade do milagre é a velocidade com que você vem”, disse em um vídeo. Proibição é por tempo indeterminadoA suspensão das atividades vale por tempo indefinido. A igreja Assembleia de Deus Avivamento Profético, liderada pelo pastor Marcinho Silva, participou da decisão. Todos os compromissos religiosos de Miguel foram cancelados. Segundo o novo acordo, ele também precisará comprovar estabilidade emocional e desempenho escolar antes de retomar qualquer atividade pública. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Desemprego sobe para 7% em março e rendimentos batem recorde

IBGE aponta alta no desemprego e recorde de rendimento médio no primeiro trimestre de 2025 A taxa de desemprego no Brasil subiu para 7,0% no trimestre encerrado em março de 2025. O número representa um aumento de 0,8 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, encerrado em dezembro de 2024. Mesmo assim, o índice continua abaixo dos 7,9% registrados no mesmo período do ano passado. Segundo o IBGE, essa ainda é a menor taxa para o trimestre desde o início da série histórica, iniciada em 2012. Até então, o recorde era do primeiro trimestre de 2014, com 7,2%. O aumento foi puxado pelo crescimento da população desocupada. No período, mais 891 mil pessoas passaram a procurar trabalho, uma alta de 13,1% em relação ao trimestre anterior. Apesar da elevação, o mercado já esperava que a taxa alcançasse 7,0%. No trimestre encerrado em fevereiro, o desemprego havia subido para 6,8%. Renda do trabalhador bate recordeEnquanto o desemprego e renda do trabalhador seguem em direções opostas, o rendimento médio dos ocupados alcançou novo recorde. No primeiro trimestre de 2025, a média salarial chegou a R$ 3.410, maior valor desde o início da série histórica, em 2012. Leia mais: Governo libera R$ 27,4 milhões para reforçar segurança do STF Houve alta de 1,2% no trimestre e de 4% na comparação anual. Setores como agricultura e administração pública puxaram o crescimento. No campo, o rendimento aumentou 4,1% (R$ 85). Já nos serviços públicos e sociais, a alta foi de 3,2% (R$ 145). A massa de rendimento real habitual se manteve estável no trimestre, somando R$ 345 bilhões. No entanto, subiu 6,6% (R$ 21,2 bilhões) em relação ao mesmo período de 2024. Geração de empregos formais desaceleraApesar dos indicadores positivos na renda, os dados do Caged mostram desaceleração na criação de empregos com carteira assinada em março. Segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o número ficou abaixo dos marços anteriores. Ele apontou fatores sazonais, como o Carnaval ter ocorrido em março, como motivo para o resultado mais fraco. Ainda assim, o ministro reforçou que o mercado de trabalho segue aquecido, mesmo com os juros altos e a economia em ritmo lento. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!